O desenvolvimento é um processo cumulativo e constante que permite um aperfeiçoamento constante, buscando uma aprendizagem necessária para, através de dispositivos maturacionais, cognitivos, afetivos, emocionais e físicos, avançar no meio e, isso só é possível porque somos seres dotados de plasticidade. Para tanto, sabemos que nosso desenvolvimento envolve não só os processos internos da nossa mente, como também o progresso físico.
Não podemos estabelecer que as características do desenvolvimento físico nos seres humanos acontecem de maneira regular, uma vez que são diferentes sistemas corporais os padrões de crescimento não são únicos. Existem as variações individuais relacionadas ao processo assincrônico na velocidade do crescimento dos indivíduos e as variações culturais que fazem relação com as variações da maturação pela hereditariedade em conjunto com os fatores ambientais.
As mudanças que acontecem no peso e na altura das crianças nos seus primeiros meses de vida são rápidas e irregulares, uma vez que eles ganham em média 30g por dia e aumentam 2 cm por mês. Entretanto, esse rápido desenvolvimento acontece até a chamada meninice, pois até os dois anos de idade a criança já possui metade da sua altura quando for adulta e tem o peso do seu nascimento quadruplicado e, sendo assim, por volta dos seis até os doze anos elas aparentam não crescer tão rapidamente – o que, se acontecesse, acarretaria sérios problemas de aumento exagerado de altura e peso.
Já na puberdade o desenvolvimento e o crescimento físico voltam a tornar-se evidentes por um período de dois a três anos no qual podem ganhar de 4 até 7 kg e crescer de 5 até 10 cm por ano, o que é chamado de “período de estirão”. Após essa fase pequenas mudanças acorrem até que cheguem a um desenvolvimento completo do que terão na fase adulta, mesmo estando na adolescência.
As proporções de crescimento no corpo humano acontecem de maneiras diferentes entre o período fetal e o adulto, essas alterações nas proporções corporais ocorrem de duas maneiras: cefalocaudal, ou seja, da cabeça para os pés e próximo distal, do centro para as extremidades. Por esse motivo, até que o crescimento esteja completo, ou seja, até a fase adulta, percebemos que aparentemente algumas partes estão mais desenvolvidas do que outras.
No feto o maior desenvolvimento é o da cabeça, assim os recém nascidos aparentam ter a cabeça bem maior do que seu comprimento corporal, pois sua cabeça já apresenta 70% do seu tamanho adulto ao contrário do resto do corpo (desenvolvimento cefalocaudal) Do primeiro ano de vida até a adolescência, as penas e o tronco crescem consideravelmente apresentando 60% do aumento da estatura, sendo que, durante adolescência há um aumento maior no tronco do que nas pernas.
Na infância, o crescimento é bem maior nos braços e nas pernas, entretanto, esse aumento interno em uma direção próximo-distal reverte-se na puberdade, quando as partes que mais se desenvolvem e chegam primeiro ao tamanho adulto, as mãos e os pés, começam o seu crescimento.
Em relação ao crescimento ósseo o destaque começa ainda no feto, porque inicialmente sua estrutura óssea é uma cartilagem mole que ossificará até chegar ao material ósseo. No nascimento, a maioria dos ossos é mole e difícil de quebrar e nem todas as partes do esqueleto amadurecem juntas, o crânio e as mãos amadurecem antes enquanto, por exemplo, os ossos da perna continuam o desenvolvimento até a metade da adolescência.
Para estimar a chamada idade óssea, ou seja, o grau de maturação física de uma criança utiliza-se o raio X do pulso e da mão. Uma das curiosidades na utilização dessas técnicas foi a descoberta de que as meninas amadurecem mais rápido que os meninos.
Quando nascemos, o tecido muscular é composto 35% de água e as fibras musculares começam a crescer à medida que o fluido celular no tecido muscular é aumentado pelo acréscimo de proteínas e sais. O desenvolvimento muscular acontece de maneira cefalocaudal e próximo-distal e a maturação do tecido acontece muito gradualmente na infância e acelera no início da adolescência.
DESENVOLVIMENTO CEREBRAL

O período de rápido desenvolvimento cerebral acontece nos últimos três primeiros meses do pré-natal e nos dois primeiros anos de vida. O cérebro humano e o sistema nervoso são compostos de células que recebem e transmitem os impulsos nervosos através das sinapses, os neurônios, e também pelas células que contribuem para um rápido crescimento cerebral, as células gliais.
Os neurônios são produzidos no tubo neural do embrião em desenvolvimento e migram através das células guias para formar a maior parte do cérebro. Para que isso seja possível, existem as células glias responsáveis pela nutrição dos neurônios e pela proteção fornecida através das camadas de mielina que o envolvem. Essa mielinização segue uma seqüência cronológica definida que acontece paralelamente à maturação do sistema nervoso.
Assim como no desenvolvimento físico, o crescimento do cérebro também acontece de maneira irregular, nem todas as suas partes desenvolvem-se no mesmo ritmo. Ao nascer é a área subcortical que primeiro se desenvolve dando vida aos estados de consciência, reflexos inatos e funções biológicas vitais, sendo as primeiras áreas a se desenvolverem as motoras e sensoriais primárias capazes de controlar as atividades motoras simples e os processos sensoriais como visão, audição, olfato e paladar.
O cérebro constitui-se de dois hemisférios que são conectados e se comunicam através do corpo caloso. Os dois hemisférios são cobertos pelo córtex cerebral e apesar de idênticos em aparência, os hemisférios direito e esquerdo têm funções diferentes e controlam áreas diferentes do corpo, tendo como característica a lateralização cerebral.
DESENVOLVIMENTO MOTOR
Tal como o desenvolvimento muscular e a mielinização, o desenvolvimento motor, nos primeiros anos de vida, é cefalocaudal e próximo-distal ao mesmo tempo. Sendo esse fato explicado pelas atividades que começam com as que envolvem a cabeça, o pescoço, as extremidades superiores e as que envolvem o tronco e os ombros antes mesmo das atividades com as mãos e os dedos e com as pernas e as extremidades inferiores.
Podemos explicar o progresso motor através do Ponto de vista maturacional, da Hipótese experimental e das Habilidades motoras como sistemas dinâmicos e objetivo direcionados.
PONTO DE VISTA MATURACIONAL: Acontecimento de eventos geneticamente programados que desenvolvem seus músculos e nervos em direção para baixo e para fora. A questão chave da maturação está na defesa de que todos os bebês do mundo desenvolvem suas características motoras independente das experiências e na mesma sequência.
HIPÓTESE EXPERIMENTAL: Apesar de não negarem o ponto de vista maturacional, na hipótese experimental as habilidades motoras são tão importantes quanto as maturacionais, destacando que a maturação é necessária mas não é suficiente, pois a falta de prática pode inibir essa característica do desenvolvimento.
HABILIDADES MOTORAS COMO SISTEMAS DINÂMICOS E OBJETIVO DIRECIONADOS: essa teoria nem nega a maturação nem a experiência, entretanto não acredita no desenvolvimento motor como resposta genética, nem que obedece à maturação e as oportunidades para prática. Nessa teoria, cada nova habilidade é uma construção ativa na qual o bebê reorganiza suas capacidades motoras em novas e mais complexas.
Como principal ponto de destaque, é importante notar que não só as experiências às quais somos expostos, nem só a genética que herdamos são capazes de, isoladamente, construir o EU físico, sensitivo e motor. O desenvolvimento é completo quando, através da coadunação da nossa herança genética, do que o ambiente nos proporciona e de como agimos nessas condições.
- Referência:
Shaffer, David R (2005). O eu físico: desenvolvimento do cérebro, do corpo e das atividades motoras. IN: Psicologia do Desenvolvimento: Infância e Adolescência. São Paulo: Cengage Learning.