19 Agosto, 2009

De onde vem a lâmpada?

Criatividade [De criativo + -(i)dade.] - Substantivo feminino.1.Qualidade de criativo. 2.Capacidade criadora; engenho, inventividade. 3.E. Ling. Capacidade que tem um falante nativo de criar e compreender um número ilimitado de sentenças em sua língua.

É através desse poder de inventar que moldamos o nosso dia, a nossa vida. O mais interessante da criatividade é a palavra em si, pois muitas pessoas têm o ato de criar apenas ligado a arte como pintura, literatura, música, etc. esquecendo, assim, que a vida é arte e precisa de criatividade. Muitas vezes esse “esquecimento” ocorre devido à cultura e a educação que tal individuo recebeu, sendo assim, resta ao próprio ter interesse para inventar a sua vida. A criatividade do ser humano é um recurso poderoso que é liberado de acordo com as posses disponíveis e as características do veículo de expressão.

Estudos mostram que não existe uma área específica do cérebro que trata da criatividade, ela está em todo o cérebro porque no processo de criar algo primeiro vem o interesse e depois a preparação para só em seguida começar a fase de incubação – que pode levar à iluminação, ou não – e, por último, a aplicação. Com todas essas atividades o cérebro vai recebendo estímulos em áreas diversificadas que se comunicam através de um sistema de redes. O momento em que recebemos um insight – momento de iluminação – é de alegria, exaltação e dedicação, é o instante da criação no qual agimos com perseverança para verificarmos a viabilidade da idéia na pratica e executá-la, ou não. A criatividade do ser humano é um recurso poderoso que é liberado de acordo com as posses disponíveis e as características do veículo de expressão.

De onde vem a lâmpada? É um questionamento interessante e que é, algumas raras vezes, feito em relação à lâmpada que está sempre associada a idéias. A eletricidade está presente em diferentes magnitudes, desde os raios e trovões até as pequenas lâmpadas, o que acontece é que o fenômeno é o mesmo só que visto em suas diversas formas. A criatividade se processa da mesma maneira, já que todos produzem energia criativa alguns a apresentam de maneira gigantesca e outros de maneira discreta. O importante é que a energia e a capacidade são as mesmas, apenas distribuídas de formas diferentes.

É interessante a maneira que a criatividade atua nas pessoas, a originalidade pode ocorrer através de um “estímulo”, ou seja, de algo que alguém já fez ou falou ou até mesmo sem “estímulo”, nasce de forma espontânea. É a liberdade de pensamento que se torna essencial nesse ponto de produção.

Einstein disse: “O dom da imaginação foi mais importante para mim do que a minha capacidade de assimilar conhecimentos.” E ele tem razão, pois o fato de assimilar conhecimento, por exemplo, pode tornar-se mais fácil depois que se imaginou, criativamente, uma forma mais prática de estudo para determinada matéria. Pessoas que imaginam e que se deixam criar são mais entusiasmadas, empreendedoras, persistentes, perseverantes, autodisciplinadas e gostam de manter-se atualizadas. Talvez seja por esse motivo que muitas empresas têm grande interesse em programas que estimulem os funcionários à criatividade, fazendo com que a empresa mude.

Uma característica que não se pode esquecer presentes nas pessoas criativas é a irrequietação, a tendência de ver sempre os objetos de maneira diferentes, transformar as utilidades, solucionar os desafios da vida.

A porcentagem de criatividade independe do sexo, ou seja, ninguém é mais criativo porque é homem ou mulher, tudo depende de como a criatividade foi desenvolvida – o que, deixa claro que a criatividade é como a razão para Kant, existe independente de sexo, idade, cor, etc., mas precisa ser desenvolvida.

06 Junho, 2009

O EU físico, sensível e motor

O desenvolvimento é um processo cumulativo e constante que permite um aperfeiçoamento constante, buscando uma aprendizagem necessária para, através de dispositivos maturacionais, cognitivos, afetivos, emocionais e físicos, avançar no meio e, isso só é possível porque somos seres dotados de plasticidade. Para tanto, sabemos que nosso desenvolvimento envolve não só os processos internos da nossa mente, como também o progresso físico.

Não podemos estabelecer que as características do desenvolvimento físico nos seres humanos acontecem de maneira regular, uma vez que são diferentes sistemas corporais os padrões de crescimento não são únicos. Existem as variações individuais relacionadas ao processo assincrônico na velocidade do crescimento dos indivíduos e as variações culturais que fazem relação com as variações da maturação pela hereditariedade em conjunto com os fatores ambientais.

As mudanças que acontecem no peso e na altura das crianças nos seus primeiros meses de vida são rápidas e irregulares, uma vez que eles ganham em média 30g por dia e aumentam 2 cm por mês. Entretanto, esse rápido desenvolvimento acontece até a chamada meninice, pois até os dois anos de idade a criança já possui metade da sua altura quando for adulta e tem o peso do seu nascimento quadruplicado e, sendo assim, por volta dos seis até os doze anos elas aparentam não crescer tão rapidamente – o que, se acontecesse, acarretaria sérios problemas de aumento exagerado de altura e peso.

Já na puberdade o desenvolvimento e o crescimento físico voltam a tornar-se evidentes por um período de dois a três anos no qual podem ganhar de 4 até 7 kg e crescer de 5 até 10 cm por ano, o que é chamado de “período de estirão”. Após essa fase pequenas mudanças acorrem até que cheguem a um desenvolvimento completo do que terão na fase adulta, mesmo estando na adolescência.

As proporções de crescimento no corpo humano acontecem de maneiras diferentes entre o período fetal e o adulto, essas alterações nas proporções corporais ocorrem de duas maneiras: cefalocaudal, ou seja, da cabeça para os pés e próximo distal, do centro para as extremidades. Por esse motivo, até que o crescimento esteja completo, ou seja, até a fase adulta, percebemos que aparentemente algumas partes estão mais desenvolvidas do que outras.

No feto o maior desenvolvimento é o da cabeça, assim os recém nascidos aparentam ter a cabeça bem maior do que seu comprimento corporal, pois sua cabeça já apresenta 70% do seu tamanho adulto ao contrário do resto do corpo (desenvolvimento cefalocaudal) Do primeiro ano de vida até a adolescência, as penas e o tronco crescem consideravelmente apresentando 60% do aumento da estatura, sendo que, durante adolescência há um aumento maior no tronco do que nas pernas.

Na infância, o crescimento é bem maior nos braços e nas pernas, entretanto, esse aumento interno em uma direção próximo-distal reverte-se na puberdade, quando as partes que mais se desenvolvem e chegam primeiro ao tamanho adulto, as mãos e os pés, começam o seu crescimento.

Em relação ao crescimento ósseo o destaque começa ainda no feto, porque inicialmente sua estrutura óssea é uma cartilagem mole que ossificará até chegar ao material ósseo. No nascimento, a maioria dos ossos é mole e difícil de quebrar e nem todas as partes do esqueleto amadurecem juntas, o crânio e as mãos amadurecem antes enquanto, por exemplo, os ossos da perna continuam o desenvolvimento até a metade da adolescência.

Para estimar a chamada idade óssea, ou seja, o grau de maturação física de uma criança utiliza-se o raio X do pulso e da mão. Uma das curiosidades na utilização dessas técnicas foi a descoberta de que as meninas amadurecem mais rápido que os meninos.

Quando nascemos, o tecido muscular é composto 35% de água e as fibras musculares começam a crescer à medida que o fluido celular no tecido muscular é aumentado pelo acréscimo de proteínas e sais. O desenvolvimento muscular acontece de maneira cefalocaudal e próximo-distal e a maturação do tecido acontece muito gradualmente na infância e acelera no início da adolescência.

DESENVOLVIMENTO CEREBRAL


O período de rápido desenvolvimento cerebral acontece nos últimos três primeiros meses do pré-natal e nos dois primeiros anos de vida. O cérebro humano e o sistema nervoso são compostos de células que recebem e transmitem os impulsos nervosos através das sinapses, os neurônios, e também pelas células que contribuem para um rápido crescimento cerebral, as células gliais.

Os neurônios são produzidos no tubo neural do embrião em desenvolvimento e migram através das células guias para formar a maior parte do cérebro. Para que isso seja possível, existem as células glias responsáveis pela nutrição dos neurônios e pela proteção fornecida através das camadas de mielina que o envolvem. Essa mielinização segue uma seqüência cronológica definida que acontece paralelamente à maturação do sistema nervoso.

Assim como no desenvolvimento físico, o crescimento do cérebro também acontece de maneira irregular, nem todas as suas partes desenvolvem-se no mesmo ritmo. Ao nascer é a área subcortical que primeiro se desenvolve dando vida aos estados de consciência, reflexos inatos e funções biológicas vitais, sendo as primeiras áreas a se desenvolverem as motoras e sensoriais primárias capazes de controlar as atividades motoras simples e os processos sensoriais como visão, audição, olfato e paladar.

O cérebro constitui-se de dois hemisférios que são conectados e se comunicam através do corpo caloso. Os dois hemisférios são cobertos pelo córtex cerebral e apesar de idênticos em aparência, os hemisférios direito e esquerdo têm funções diferentes e controlam áreas diferentes do corpo, tendo como característica a lateralização cerebral.

DESENVOLVIMENTO MOTOR

Tal como o desenvolvimento muscular e a mielinização, o desenvolvimento motor, nos primeiros anos de vida, é cefalocaudal e próximo-distal ao mesmo tempo. Sendo esse fato explicado pelas atividades que começam com as que envolvem a cabeça, o pescoço, as extremidades superiores e as que envolvem o tronco e os ombros antes mesmo das atividades com as mãos e os dedos e com as pernas e as extremidades inferiores.

Podemos explicar o progresso motor através do Ponto de vista maturacional, da Hipótese experimental e das Habilidades motoras como sistemas dinâmicos e objetivo direcionados.

PONTO DE VISTA MATURACIONAL: Acontecimento de eventos geneticamente programados que desenvolvem seus músculos e nervos em direção para baixo e para fora. A questão chave da maturação está na defesa de que todos os bebês do mundo desenvolvem suas características motoras independente das experiências e na mesma sequência.

HIPÓTESE EXPERIMENTAL: Apesar de não negarem o ponto de vista maturacional, na hipótese experimental as habilidades motoras são tão importantes quanto as maturacionais, destacando que a maturação é necessária mas não é suficiente, pois a falta de prática pode inibir essa característica do desenvolvimento.

HABILIDADES MOTORAS COMO SISTEMAS DINÂMICOS E OBJETIVO DIRECIONADOS: essa teoria nem nega a maturação nem a experiência, entretanto não acredita no desenvolvimento motor como resposta genética, nem que obedece à maturação e as oportunidades para prática. Nessa teoria, cada nova habilidade é uma construção ativa na qual o bebê reorganiza suas capacidades motoras em novas e mais complexas.

Como principal ponto de destaque, é importante notar que não só as experiências às quais somos expostos, nem só a genética que herdamos são capazes de, isoladamente, construir o EU físico, sensitivo e motor. O desenvolvimento é completo quando, através da coadunação da nossa herança genética, do que o ambiente nos proporciona e de como agimos nessas condições.
- Referência:
Shaffer, David R (2005). O eu físico: desenvolvimento do cérebro, do corpo e das atividades motoras. IN: Psicologia do Desenvolvimento: Infância e Adolescência. São Paulo: Cengage Learning.

03 Maio, 2009

O que é sociologia

A sociologia pode ser definida como o estudo das relações sociais. É uma área fascinante e ao mesmo tempo intrigante, pois seu objeto de estudo é o comportamento humano como ser social.

A maioria de nós quando analisamos o meio social em que vivemos o fazemos de modo parcial, influenciados por nossas crenças. Um sociólogo em sua análise deve se libertar de suas visões pessoais e analisar a sociedade como um todo. O estudo sociológico busca compreender como as relações sociais entre os indivíduos afetam suas formas de comportamento.

Embora sejamos influenciados pelas questões sociais, nenhum indivíduo pode ser determinado pelo meio em que vive, pois cada um de nós desenvolvemos nossa própria individualidade. O conceito de estrutura social nos diz que há uma regularidade nos modos como nos comportamos e nos relacionamentos que temos uns com os outros. De modo que nossa forma de agir é estruturada ou padronizada do acordo com os costumes da sociedade em que vivemos e não de forma aleatória. A estrutura social não é algo estático, mas algo que se encontra em constantes mudanças. As sociedades humanas estão sempre em processo de estruturação.

A sociologia pode ajudar de diversas maneiras em nossas vidas. Ela nos permite ver a sociedade através de vários pontos de vista diferentes e à medida que entendemos como os outro vivem, podemos entender melhor os seus problemas. Outra contribuição é avaliando políticas públicas para constatar se estas realmente trouxeram contribuições à qualidade de vida da população. A sociologia também nos trás uma autocompreensão da maneira como agimos e porque agimos e com isso podemos ser capazes de influenciar o nosso próprio futuro.

A sociologia surgiu como uma tentativa de entender a sociedade em um período grande mudança na ordem social. Mudanças essas que repercutiram não apenas exteriormente, mas também internamente aos indivíduos. Através dessa tentativa de compreender a sociedade surgiram vários teóricos que fundaram as bases do estudo sociológico.

Augusto Comte é, sem dúvida, um dos grandes pensadores que contribuíram para o avanço dessa ciência. Ele quem cunhou o termo “sociologia”. Comte tinha uma visão positivista da sociologia, que acreditava que somente através de experiências observáveis, podia-se inferir leis que explicam as relações entre os fenômenos observados. E ao entender as relações entre os eventos, os cientistas poderiam prever como os acontecimentos futuros ocorreriam. Ele também acreditava que os humanos, na tentativa de entenderem o mundo, passaram por três estágios: teológico, metafísico e positivista. Em que o terceiro estágio é onde se desenvolvia a sociologia, física, química e biologia.

Émile Durkheim é outro importante estudioso da sociologia. Durkheim via a sociologia como uma nova ciência que poderia ser usada para elucidar questões filosóficas tradicionais ao examiná-las de maneira empírica. Para ele a principal preocupação da sociologia é o estudo dos fatos sociais. Sendo estes os aspectos da vida social que modelam nossas ações como indivíduos. Também podem ser definidos como meios de agir, pensar ou sentir que são externos aos indivíduos e têm sua própria realidade das vidas e das percepções das pessoas individuais. São os fatos sociais que exercem poder coercitivo sobre os indivíduos. Por não serem objetos físicos são fatos sociais não podem ser observados diretamente, mas eles podem ser observados indiretamente ao se analisar suas causas ou ao se considerar tentativas de dar-lhes expressão, como leis, textos religiosos ou normas escritas de conduta.

Durkheim também fala de dois tipos de sociedade. A mecânica, que está fundada na similaridade de crenças e ocorre em sociedades tradicionais, com baixa divisão do trabalho. E a orgânica, que está fundada na dependência econômica das pessoas, assim como no reconhecimento da importância das contribuições dos outros e ocorre em sociedades mais avanças onde as relações de reciprocidade econômica e de dependência mútua substituem crenças em comum ao criarem consenso social.

Os estudos de Durkheim sobre o suicídio são de grande importância para a sociologia moderna. Neles são diferenciados quatro tipos de suicídios: egoístico, anômico, altruístico e fatalista. Em que estes quatro tipos são diferenciados através das diferenças de atuação entre interação e a regulação social. Durkheim também usa o termo anomia para designar um sentimento de falta de objetivos ou de desespero, provocado pela vida social moderna.

Karl Marx também foi outro que trouxe contribuições à sociologia. Sua visão estava fundada no que ele chamava de concepção materialista da história. Em que não são as idéias ou os valores que os seres humanos guardam que são as principais fontes de mudança social. Na verdade a mudança social é estimulada primeiramente por influências econômicas.

Max Weber também atrás avanços à sociologia. Em sua concepção os avanços econômicos são importantes, mas mudanças e os valores têm exatamente o mesmo impacto na mudança social. Weber acreditava que a sociologia deveria se concentrar na ação social e não nas estruturas.

As perspectivas mais recentes da sociologia são: o funcionalismo, que sustenta que a sociedade é um sistema complexo cujas diversas partes trabalham conjuntamente para produzir estabilidade e solidariedade. Perspectivas de conflito, que vê a sociedade como sendo composta de grupos distintos que perseguem seus próprios interesses. Perspectivas de ação social, que analisa como os agentes individuais se comportam e interagem entre si para formarem os grupos. E o interacionismo simbólico que dirige nossa atenção ao detalhe da interação interpessoal.

02 Maio, 2009

A Natureza da Psicologia I

A psicologia está inserida nos mais variados contextos da vida cotidiana. Sem Ela a compreensão de muitos problemas, tanto na esfera da psique humana como na esfera social, seria impossível. Pode ser definida como o estudo científico do comportamento e processos mentais.Qualquer tópico na psicologia pode ser abordado a partir de múltiplas perspectivas.

A perspectiva biológica busca a explicação dos processos psicológicos a partir das estruturas orgânicas subjacentes a esses processos. Relaciona o comportamento manifesto com eventos elétricos e químicos que ocorrem dentro do corpo, particularmente dentro do cérebro e sistema nervoso.

A perspectiva comportamental busca estudar o comportamento, em vez de estudar o cérebro e o sistema nervoso, sustentado na idéias de que apenas estudando o comportamento é possível uma ciência objetiva da psicologia. Baseia-se na concepção de estímulo e resposta para explicar o comportamento humano ou animal. Explica o comportamento como sendo a interação do indivíduo com o meio.

A perspectiva cognitiva que é, em parte, uma reação ao behaviorismo, em parte, um retorno às raízes cognitivas da psicologia clássica, supõe que apenas estudando os processos mentais, podemos compreender plenamente o que os organismos fazem e podemos estudar os processos mentais de um modo objetivo, focalizando-nos sobre os comportamentos específicos, exatamente como os behavioristas fazem, mas interpretando-os em termos dos processos mentais subjacentes. Conceber-se as ações humanas unicamente em termos de estímulo e resposta pode ser adequado para o estudo de formas simples de comportamento, mas esta abordagem negligencia muitas áreas demasiadamente importantes do funcionamento humano.

A perspectiva psicanalítica combinou noções cognitivas até então em voga de consciência, percepção e memória, com idéias sobre instintos biologicamente baseados para forjar uma teoria ousada e inédita sobre o comportamento. A premissa da teoria de Freud é que grande parte do nosso comportamento deriva-se dos processos inconscientes. Por processos inconscientes, Freud referia-se às crenças, medos e desejos dos quais uma pessoa não tem consciência, mas que, ainda assim, influenciam seus comportamento. Segundo essa perspectiva os indivíduos não estão completamente conscientes de alguns aspectos importantes de suas personalidades.

A perspectiva fenomenológica focaliza-se quase que inteiramente na experiência subjetiva. Ela envolve a visão pessoal do indivíduo sobre os eventos. Rejeitam a noção de que o comportamento é controlado por estímulos externos (behaviorismo) ou apenas pelo processamento das informações em percepção e memória (cognitivismo) ou por impulsos inconscientes (psicanálise). A visão fenomenológica ou humanística salienta uma questão importantíssima, que serve como alerta de que a psicologia precisa focalizar sua atenção sobre a solução de problemas relevantes ao bem-estar humano.

30 Abril, 2009

Psicologia Industrial, Organizacional e do Trabalho: de onde vem?

Foi no cenário da consolidada revolução industrial, no início do século XX, que nasceu o Taylorismo, ideologia da escola clássica de administração que visa, através de técnicas de maior controle sobre o trabalho e da produção em massa, o aumento da produção. Nessa fase de surgimento, A psicologia do trabalho surge junta aos interesses dos industriais e do desenvolvimento da economia, voltada para a lógica de algumas teorias, como é o caso do estudo da produtividade em função do esforço. Inicialmente, a psicologia foi denominada Psicologia Industrial visando à prática de seleção e colocação profissional através de testes psicológicos e serviços de consultorias a algumas empresas.

A Psicologia Industrial incorporou muitas teorias do Taylorismo, como é o caso da “Lei da fadiga” que tentava determinar o limite de esforço feito pelos empregados para as quotas de produção. Assim, nos anos 20, além da seleção e da colocação profissional – também baseados em testes visando o aumento da produtividade, outras duas práticas tornaram-se mais comuns no campo, a orientação vocacional e o estudos sobre as condições de trabalho. Foi a partir de 1924 que as Relações Humanas começaram a fazer frente à escola clássica na Administração, deixando claro que as relações informais responsáveis pelas relações de grupo tanto trabalhavam junto às relações formais e técnicas do trabalho como são capazes de alterar os resultados da produção. Toda essa tentativa de junto aos conceitos da psicologia como motivação, comunicação e comportamento de grupo serviu para uma melhora do relacionamento existente entre os empregados.

Durante a segunda grande guerra muitas técnicas foram desenvolvidas, dentre elas a de colocação pessoal, treinamento, avaliação de desempenho, etc. Entretanto, é principalmente no pós guerra que acontece um grande desenvolvimento da Psicologia Industrial, pois junto ao psicodrama e a sociometria aglomeraram-se a seleção, a classificação de pessoas, a avaliação de desempenho, o treinamento, a liderança, etc. Logo, é perceptível que a atuação da Psicologia Industrial é voltada à postos de trabalho, diferente da Organizacional e da do Trabalho, que estão mais ligadas ao ramo da organização das estruturas.

É muito comum que as pessoas atribuam as diferenças entre a Psicologia Industrial e a Psicologia Organizacional baseado no serviço, ou seja, acreditam que esta última vai além das indústrias, ela ampliou o seu mercado de trabalho. Entretanto, a Psicologia Organizacional surge exatamente no momento em que os psicólogos sentiram a necessidade de contribuir na estrutura da organização do trabalho, assim percebemos que não foi exatamente a ampliação do mercado de trabalho com o intuito de não mais fazer o trabalho nas empresas, ao contrário, pois a Psicologia Organizacional veio exatamente ampliar o objetivo de estudo da Industrial de maneira tal a continuar atrelada à empresa.

“No passado, os psicólogos industriais tomaram muitas coisas como certas. A estrutura toda da indústria, suas tradições e superstições, têm sido aceitas quase sem perguntas e tem-se a impressão de que os seres humanos foram feitos para adaptar-se à industria, em vez de suceder o contrário”. (BROWN, 1976. P. 23)

De certa maneira, a Psicologia Organizacional relaciona-se e supervaloriza as teorias do comportamento humano, uma vez que o trabalho é voltado para a influência do ambiente no comportamento humano, desta forma, tira de campo toda a idéia de influência intra-psiquica, pois a única importância desse campo é a área de satisfação que surgiu com os estudos de motivação. Já entrando nesse campo de motivação proposto pela teoria Organizacional podemos ver o plano de cargos e salários como elemento motivador, como incentivo ao trabalho. Assim, o papel da seleção é exatamente o de incorporar o candidato adequado com o sistema social da empresa e esse receberá técnicas de treinamento e desenvolvimento para articular o lado operacional e o lado social da empresa, além do uso de dinâmicas de grupo.

A terceira face da Psicologia do Trabalho, ou seja, uma psicologia que se preocupa com o estudo do trabalho humano em todos os seus significados e manifestações, tem uma visão mais ampla do homem que trabalha e do trabalho do homem. Logo, há um aumento no campo de visão do pesquisador em Psicologia do Trabalho e, ao contrário da Psicologia Organizacional, a forma de intervenção psicológica é basicamente voltada à Psicanálise, assim, trabalham com os processos inconscientes das relações entre as pessoas e o grupo de trabalho com o objetivo de promover a saúde numa perspectiva do bem estar biopsicossocial.

Fato notório das diferenças entre os três tipos de psicologia apresentados é que, com a evolução do pensamento em termos de empresa, a Psicologia do Trabalho apresenta um objetivo mais para os indivíduos do que para a própria empresa, pois vê o homem como um ser ativo que tem as primeiras necessidades voltadas para si e para seus desejos, independente do aumento ou não da lucratividade e produtividade da empresa. Nesse campo teórico existem duas escolas, a escola latina que é influenciada pela Psicossociologia e pela Psicanálise e a escola anglo-saxã influenciada pela teoria organizacional e pelas bases psicofisiológicas.

A Psicologia do Trabalho é uma disciplina que deve interagir com outras, através da sua interdisciplinaridade podemos relacioná-la à Psicologia, Administração, Sociologia do Trabalho, Filosofia, Ergonomia, Direito Trabalhista, Medicina, entre outras. Logo, suas atividades não podem ser consideradas únicas de um só ramo, pois algumas requerem participação indispensável de outras áreas. Dentro das atividades podemos apresentar o Planejamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos, a Seleção, a Avaliação de desempenho, Condições de trabalho, Saúde mental, Planos de cargos e salários, etc.

No Brasil, através de pesquisas, sabemos que o ramo da Psicologia do Trabalho é um dos mais procurados e o segundo mais desenvolvido. As atividades desses profissionais são as já citadas à cima destacando-se a seleção profissional como a primeira na lista e a de planos de cargos e salários como a última. As áreas de atuação também são diversificadas, passando desde a Psicologia clínica, psicologia comunitária, docência, pesquisa, Psicologia Organizacional e até a Psicologia Escolar. Assim, a imagem do profissional de Psicologia do Trabalho é a daquele que pode ajudar a organização a pensar.

29 Abril, 2009

O Pré-Conceito de Psicologia

Não posso falar de modo global, uma vez que só conheço a realidade do meio em que vivo, tendo apenas uma mera idéia de como seja os meios que desconheço de fato. Os brasileiros têm a estranha mania de deturpar tudo, não falo daqueles inseridos em salas abrasantes de universidades públlicas ou aptos à boa educação, mas daqueles nas situações críticas de subempregos, muitas vezes terceirizados: da massa. Não quero com isso elitizar o pensamento, posto que também existe da mesma idéia em todas as classes. Falo da massa (mais intelectual que econômica) porque ela é mais propícia a ser vítima da mídia e ausente de educação de qualidade, quando não da própria educação. Além disso, é também um fato que as classes mais baixas têm maior probabilidade de se desenvolverem menos ou de pior maneira cognitivamente, por uma série de fatores que aqui não cabem.

O pré-conceito (antes do conceito, inferior a ele) é senso comum, sendo: Psicologia trata de gente doida.

[Suspiro...]

Muitas vezes chegar para uma pessoa e sugerir que busque um psicólogo é insultá-la. Além disso, exite também o achismo que a psicologia limita-se aos perímetros de uma clínica, que é psicanálise e que é coisa para burguês (este ponto não é exatamente inverdade).

Talvez a grande responsável por isso seja a minha, a sua, a nossa mídia, à qual a massa tem grande e fácil acesso, sendo muitas vezes seu único meio de entretenimento. Por outro lado, o cinema, o que é pior, pois além de chegar a todas as classes, chega a todos (ou quase todos, acreditemos que ainda existam índios sem televisão!) os povos de todo o globo (palavra infeliz no contexto).

As consequências são as mais variadas, além do preconceito (agora sim, sem hífen) , a dificuldade de mercado da profissão, a desvalorização, e tantas outras.

Culpar somente o exterior à psicologia é fácil, mas devemos pensar também que os próprios meios da psicologia, os conselhos, os CAPSIs e cia também têm uma certa ponta de culpa no sentido de não relutarem. Pouca propaganda é feita a favor da imagem da psicologia (estou sendo otimista, pois nunca vi esse tipo de propaganda), o que seria demasiadamente necessário por motivos óbvios.

Penso que essa ciência do comportamento ajudaria bem mais e seria bem mais útil caso fosse esclarecido às pessoas do que ela realmente se trata, o que faz, quando faz, por que faz. Esperar que grandes órgãos o façam é ser tolo, devemos fazê-lo nós mesmo, da forma possível, começando a combater a praga pelos nossos parentes, amigos, colegas... pelo preconceituoso mais próximo a nós, e, queira um deus, que não sejamos nós próprios.

28 Abril, 2009

Um novo conceito de saúde

A gente se preocupa mesmo com muitas coisas na vida, os problemas são os mais diversos que perpassam desde a crise financeira até os problemas educacionais. A importância acontece por escolhas, de uma maneira ou de outra é como uma lista, uma fila onde a ordem não é de quem chegar primeiro, mas do que mais pesar. A burocracia tomou conta do mundo e dos seres humanos, somos indivíduos mais preocupados com o que temos que fazer amanhã do que com a nossa saúde. Era nesse ponto que eu queria chegar, na questão da saúde partindo do individual e chegando à pública.


O dicionário Aurélio traz algumas definições para Saúde: [Do lat. salute, ‘salvação’, ‘conservação da vida’.] - Substantivo feminino. 1. Estado do indivíduo cujas funções orgânicas, físicas e mentais se acham em situação normal; estado do que é sadio ou são; 2. Força, robustez, vigor; 3. Disposição do organismo; 4. Disposição moral ou mental; e é interessante analisar cada uma das definições criticamente relacionando-as não só à vida individual, mas também ao momento histórico, cultural, política e ideológica, porque uma vez que tratamos esse processo de doença/saúde como um fenômeno social de funcionamento global, ou seja, que trabalha em todas as dimensões chegaremos ao foco da questão da saúde, a interdisciplinaridade.


A questão da saúde, até nos dias atuais, não é bem discutida porque é um campo abrangente que não foi ainda estabelecido como pronto, o conceito de saúde ou de doença não é constante e a mudança acontece de acordo com as necessidades diárias, esses conceitos apresentados passaram desde a saúde como sendo um estado de normalidade até a saúde como um bem estar biopsicossocial. A preocupação com a saúde, desde o começo, está mais ligada com os processos econômicos do que com o cidadão em si e continua assim porque o incentivo é bem maior aos planos de saúde privados do que aos planos públicos, que deveriam ser os mais dispostos a atender a população em geral por ser um direito estabelecido para todos.


A importância dada à doença/saúde fisiológica, que mesmo depois do surgimento de vários modelos metateóricos através de um novo paradigma voltado para um olhar multidimensional, ou seja, um olhar para o ser humano como um todo, ainda continua e é resíduo da educação médica que montou seu programava voltado para a importância dos processos fisiológicos dos indivíduos. A psicologia teve que quebrar várias barreias para conseguir o seu espaço dentro da comunidade em geral, desde os mitos das próprias pessoas em relação ao trabalho do psicólogo até o preconceito criado pelos outros profissionais de saúde que viam no psicólogo a figura de um clínico tradicional que não atuava dentro da saúde pública, mas sim em uma sala fechada e individualmente, enfatizando o processo de doença e os psicodiagnósticos, excluindo a vida que os indivíduos levavam na comunidade.


Um grande avanço feito por Freud, no campo da psicologia voltada à saúde, foi a afirmação de que a diferença entre a normalidade e a doença é uma questão de nível, ou seja, que as mesmas leis presentes nos neuróticos também estão nos ditos normais. A visão que ele apresenta é a da doença como ponto de partida, assim, para Freud a saúde é exatamente o equilíbrio do prazer com a realidade. Entretanto, a partir do desenvolvimento das teorias psicológicas, com o surgimento da Psicologia Positivista o foco sai da psicopatologia e volta-se para a doença como um bloqueio das necessidades de auto-realização e a saúde como um processo das potencialidades internas e da auto-realização.


“É no movimento mediado pelo outro que aprendemos e apreendemos o vivido, que nos elaboramos, que reafirmamos e transformamos o que somos, que nos desenvolvemos e nos singularizamo-nos”. (Fontana, 1999)


Com a visão interdisciplinar proposta pelo novo paradigma dar-se vida ao modelo biopsicossocial que insere o psicólogo e os demais profissionais no campo de atuação além das suas funções práticas, o clínico biopsicossocial volta-se à saúde coletiva e à natureza curativa e preventiva. O trabalho é feito em equipe para a promoção da saúde, pois uma vez que todos os profissionais exercem a coletividade no trabalho os fenômenos podem ser vistos de diferentes formas, o que proporciona não só a eficácia da função exercida como uma maior interação entre os membros das instituições, o que permite a criação de um ambiente mais saudável.


Referências:


RIBEIRO, Roger Rosa. Um novo conceito de saúde e doença em Psicologia. Insight, Psicoterapi, Maio, 1994.

MARTINS, Dinorah Goia. Psicologia da saúde e o novo paradigma: Novo paradigma?

17 Março, 2009

As psicologias nas nossas vidas

Para os dicionários, ciência é conjunto organizado de conhecimentos baseados em relações objetivas verificáveis e dotados de valor universal. É a partir do conceito de ciência que começamos a explicar e definir um pouco da tão rotulada Psicologia que nasceu por volta de 1879, quando foi criado o primeiro laboratório de psicofisiologia por Wundt.


Antes do conhecimento histórico sobre a criação da psicologia e das suas teorias, faz-se necessário uma explanação sobre a importância dessa ciência nas nossas vidas e sobre como ela consegue ser, ao mesmo tempo, tão próxima do que nós vivemos e, em certas ocasiões, distanciar-se um pouco do nosso plano para promover um estudo cientifico sobre o real. Ou seja, a psicologia científica, através de seus estudos, tenta compreender e elucidar o cotidiano, alterando-o ou não.


É através das teorias psicológicas e de pesquisas realizadas nessa área que conseguimos adaptar as mudanças às realidades em que vivemos. Assim, é perceptível que tal ciência afeta boa parte das nossas vidas, de modo análogo, devemos perceber sua interdisciplinaridade e apontar como necessário um estudo, não aprofundado, mas esclarecedor sobre tais temáticas para, além de quebrar mitos, dá suporte próprio ao senso comum, adaptando-o.


O senso comum é toda a rede de informações que obtemos no cotidiano e que armazenamos. Esse conhecimento é espontâneo, intuitivo e está sujeito a erros. É um hábito que gera teorias simplificadas para facilitar o nosso dia-a-dia. Dessa maneira, produzimos uma nova visão de mundo que é tradicionalmente passada de geração para geração e que torna mais simples as teorias cientificas.


Retomando a definição de ciência, vejamos as palavras chaves que podem nos ajudar a construir um conceito mais simples do que vem a ser ciência e de como a Psicologia passou a fazer parte de tal ramo do conhecimento. A primeira palavra chave é conjunto e vem acompanhada da segunda, que é conhecimento, porque toda teoria é dotada de uma organização expressa em linguagem precisa e rigorosa e, de tal maneira forma um conjunto de uma linhagem teórica. Para que esse conjunto deixe de ser apenas o que vivenciamos, ele deve ser verificável e, depois de tal verificação, validado universalmente.


Essa verificação é obtida sistematicamente e de maneira controlada, sendo necessário um conhecimento empírico, um objeto específico, processo cumulativo de conhecimento, objetividade, métodos e técnicas. Assim, alguns ainda acham que a Psicologia não deve ser caracterizada como conhecimento científico porque não tem um objeto de estudo certo, ou seja, seu objeto de estudo é subjetivo e tal diversidade pode ser explicada, primeiro porque a Psicologia surgiu como ciência muito recentemente, século XIX, e depois porque o cientista ou pesquisador confunde-se com o objeto a ser estudado.


Esse estudo, feito em meio à subjetividade humana, sai do campo do senso comum e aprimora as teorias e a qualidade de vida. Outro fator importante no estudo pode ser retirado de uma frase de Guimarães Rosa: “O importante e bonito no mundo, é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam.”, ou seja, como os homens estão inseridos em meios históricos e sociais, a Psicologia estuda os diversos homens em suas constantes mudanças.


Logo, é fácil confundir e rotular a Psicologia. Não é raro que, estudantes sejam rotulados como analistas ora do seu campo de estudo, que o nosso objeto de estudo também seja vista com outros olhos por quem não sabe lidar com tal subjetividade e, até mesmo, que práticas místicas sejam apontadas como pertencentes ao campo das ciências psicológicas.


Entretanto, sabe-se que a Psicologia ver o homem como ser autônomo e sem destino pronto, sendo assim, é impossível sua associação com práticas místicas como o tarô, a numerologia, a astrologia, etc., que buscam a afirmação da existência de forças que não estão no campo humano e que designam, a quem as busca, um destino definido. Outro ponto diferencial é a metodologia de tais práticas, que passam longe da construção científica.